segunda-feira, 30 de abril de 2012

Todos à Manif de 1o de Maio!!!!


Olá a todxs,

A participação da Primavera Global PT na Manifestação do 1º de Maio passará pela distribuição destes flyers e por uma flashmob/confraternização no final da Manif. Queremos divulgar a Primavera Global ao longo de toda a Manifestação. Tencionamos distribuir cerca de 5000 flyers!

Apelamos a todos os movimentos, colectivos e pessoas individuais que apoiem a Manifestação para que mandem imprimir cópias destes flyers ou de outros textos alusivos à Primavera Global PT e aos eventos de 12M-15M e compareçam no ponto de encontro - o Hotel Mundial (junto ao Martim Moniz) - às 15:00 para nos coordenarmos. Os vários movimentos e colectivos que vão integrar a Manifestação de 1o de Maio levarão também consigo mensagens de apoio à Primavera Global PT nas suas faixas! Quem não quiser/puder panfletar, pode integrar as colunas destes colectivos e assim reforçar as suas lutas, dar força a ambas as Manifestações!

No final da Manif, convidamos todxs a reunirem-se na Alameda (Na saída central do Metro, do lado do IST) para realizarmos juntos uma pequena flashmob e confraternização.

Todxs a (1)2 de Maio! A Primavera está a chegar!


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sábado, 28 de abril de 2012

Um dos 99%


Primeiro que tudo gostava de dizer que por mais que pensem que tudo é decidido em grupo, as palavras que aqui vos escrevo são escritas apenas com um par de mãos.
Nas últimas manifestações, e por último no despejo do ES.COL.A, temos assistido a uma permanente escalada na violência daquilo que sei ser a revolução. Nem sequer vou procurar atribuir culpas, prefiro que cada um tire as suas próprias conclusões, que questionem, que nunca se dêem por satisfeitos com nenhuma resposta que não a vossa.
Estamos a entrar, em Portugal, no ciclo violento, e com isto quero dizer, que as pessoas se tornam difíceis de conter nos seus ímpetos, e que a revolta que nos fazem carregar dentro já nem tem por onde ser oprimida, que os jovens, esses com as hormonas, não medem consequências, porque também faz falta essa valentia, porque as pessoas estão fartas de esperar, ouvem-se murmurinhos cada vez mais violentos, como se isso fosse sequer oferecer uma resposta.
Por mais que se invoque o episódio dos trabalhadores indianos das salinas, por mais que se invoque o Gandhi, parece que já nada serve de resposta às mentes inquietas.
Por tudo isso e muito mais, apelo que pensem, que tudo isso é fazer exactamente aquilo que eles querem que façam, a violência faz parte do puzzle.
Enquanto não aprendermos a tolerar, a dar a outra face, e a nos colocarmos nos sapatos dos outros, seremos pouco, muito pouco.
Assim e porque me parece que é sem dúvida uma daquelas alturas que a recolha de informação faz sentido atentem ao texto que nos chegou “às mãos”, e reflictam, questionem e encontrem a vossa própria resposta.

“Estava a nascer o dia, adivinhava-se um dia de sol, com temperatura amena,
característica de um dia de Inverno, mas com sol.

A minha disposição era a mesma, ainda o dia não havia começado, e já aquele aperto no
peito se apoderava de mim, consumia-me o corpo e a alma, chorar já não me apetecia.

Sou um homem, cheio de angústia, sem horizonte, triste e com raiva, com vontade de gritar
e dizer a toda a gente que ou sou maluco ou estão a querer fazer de mim maluco.

Ano de XXXX, decidi que iria concorrer ao posto de subchefe, decidi que ia melhorar a minha
vida e dar resposta à minha ambição. Estudei, preparei-me, sempre com o pensamento que
estava a fazer o correcto.

Vida estável, casado, integrado num serviço que qualquer agente ambicionaria, perto de
casa, junto da família e amigos, agora me lembro que era feliz.

Como já deve ser perceptível, consegui entrar no Curso de Subchefes e finalizá-lo.

Senti-me realmente orgulhoso, queria dizer a toda a gente, que consegui atingir uma das
poucas metas que um dia tinha predefinido para a minha vida.

Hoje, esta dor mortal, este sentimento de tristeza, que carrego no meu interior e que o meu
semblante não me deixa esconder é o troféu que me estão a dar por ter conseguido.

Pensam vocês os que estão a ler, afinal o que é isto, que palavras são estas que eu estou a
ler?

Pois bem, vou-me apresentar, sou um das centenas de subchefes à espera de ir para casa,
casado, com filhos e infelizmente sou Subchefe da Policia de Segurança Pública, colocado em
XXXX desde XXXX de XXXX.

Infelizmente sou um Subchefe da PSP, porque de um homem e profissional feliz, resta um
homem e um profissional triste.

Um homem que não consegue dizer à sua mulher quando irá para casa, um homem privado
de dar todo o amor que tem ao seu filho, um homem que não consegue largar a dor da
indefinição, a dor do escuro, da incerteza, da raiva, da frustração, da melancolia, da revolta.

Estou a escrever tudo isto e direccioná-lo a vós, porque tenho que dar uma direcção a isto,
será assim tão difícil, perceber que centenas de homens, com responsabilidades e obrigações não
conseguirão ser felizes nem proporcionar felicidade a quem os rodeia, porque alguém nos pôs
nesta situação.

Será difícil perceber, que quem não vê uma luz, apenas vê escuridão, será difícil perceber
que quem correr sem ter uma meta, vai acabar por desistir por cansaço sem nunca chegar a lugar
algum.

Por isto e muito mais, que neste momento não me apetece escrever, venho pedir o vosso
auxilio, no sentido de movimentar as pessoas, no sentido de dar esperança e no sentido de dar
sentido a tudo isto porque estou a passar."

As localizações e datas foram omitidas.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A quem interessar:
Os acontecimentos que se desenvolveram ao longo do ultimo ano na Fontinha passaram-me despercebidos ate que no dia 19 de Abril de 2012 um triste desenlace captou a atencao de muitos (eu incluido) para o quadro completo de uma imagem pitoresca, quase surreal, de um pais onde se fez da incompetencia uma tradicao, e da indignacao quase  a definicao do estado de alma lusitano.
O pais vai mal. O regime caiu mas os velhos habitos perduram. 400 anos de administracao deficiente; mais alguns integrados numa pseudo-federacao europeia na qual nao pertencemos e o resultado e visivel: estamos em cacos.
Diz-se que a necessidade e a mae de toda invencao; e tambem que em tempos de dificuldades o melhor do caracter de todos nos vem ao de cima. O caracter portugues no entanto continua a surpreender-me. E nao pela positiva.
Quando os meios faltam; o minimo que qualquer ser humano digno desse nome pode e deve fazer e louvar os que tentam ajudar simplesmente porque...Querem ajudar.
A democracia nunca funcionara; o conflito israelo-palestiniano nunca vera um fim; o ceu nunca deixara de ser azul e eu nunca deixarei de beber cerveja. Nesta vida algumas coisas sao factos inevitaveis; para o bem ou para o mal temos de lidar com eles o melhor que sabemos... O Es.Col.A no entanto, nao tinha de fechar. Nao tinha... Mas fechou.
E assim se perde a boa vontade e esforco de alguns; enredada em tramas politicas e interesses paralelos que neste momento nao tenho disponibilidade para descrever em detalhe porque um homem nao perde tempo com assuntos de ratos.
 
Ha cerca de um ano abandonei o nosso pais em busca de interesses pessoais e profissionais. Trabalho e vivo rodeado de gente que nao e a minha e desenvolvi um orgulho enorme em ser portugues; no nossa historia; no nosso espirito e ignoro conscientemente o facto de que todos os exemplos inspiracionais da nossa nacao estao no passado.
O meu passaporte nunca sera outro e Portugal sera sempre a minha casa mas hoje... Estou contente por estar longe.
Fomos uma das luzes que guiou a humanidade mas esse brilho apagou-se ha muito.
 
A revolucao dos nossos tempos e uma que nao podemos fazer com armas ou punhos. A sociedade ocidental perdeu valores que nao podia ter perdido. Honra e uma palavra; viver de acordo com o seu conceito e algo que todos temos de aprender do zero.
Forca, coragem e educacao. Cultivem-nas; passem-nas aos vossos filhos; inspirem os vossos amigos e familiares.
O mundo nao muda sem que cada um faca a sua parte. E desistir e para perdedores. Encontraram uma causa? Fantastico. Agora lutem por ela; e que a luta vos engrandeca o espirito.
 
 
"Hasta la victoria; siempre"
 
 
texto por: Fernando Pinto