A riqueza de algumas centenas de
pessoas é igual à que é partilhada pelos restantes 6 biliões de
indivíduos que vivem no nosso planeta.
Um sistema monetário arcaico e
corrompido continua a dominar, cometendo atrocidades contra a
humanidade, e se os nossos potentes telescópios permitem-nos explorar
o universo, não nos ajudam, por outro lado, a ver o que se passa
aqui.
Andamos a formar economistas que nos
dizem que é necessário haver crescimento económico para sair do
túnel. Formamos políticos que se contentam em fazer-nos acreditar
que eles acreditam nisso. E que dizer dos consumidores que nós
somos, que inconscientemente alimentamos e fazemos esta máquina
louca girar?
E enquanto a máquina gira, o mundo
afunda-se na exclusão e na miséria e parece não haver solução à
vista. Mas sim, há. Basta estarem atentos aos movimentos
reaccionários alternativos à economia e sistema tradicionais, que
pouco a pouco vão formando um novo caminho a percorrer através do
mundo.
Nós vemos já o nascer de uma nova
sociedade, onde a única exclusão é a do enriquecimento monetário,
para ao invés nos dirigirmos a um enriquecimento dos recursos e
valores pessoais de cada um.
O encontro com o outro numa partilha e
troca de necessidades, capacidades e saberes vale todo o ouro do
mundo!
As redes locais de trocas são uma
fonte de desenvolvimento de valores individuais que formarão uma
nova sociedade, mais respeitadora, mais justa, e onde cada um
encontrará o seu lugar.
Uma outra concepção da economia:
- Mais equitativa:
No sistema capitalista, as pessoas,
cada vez mais numerosas, têm falta de dinheiro para comprar o que
elas precisam; mas elas dispõem de tempo, de competências ou de
produtos que não podem inserir no mercado. Dentro de uma rede
local de trocas, no entanto, terão a possibilidade de trocar estes
saberes e produtos com outras pessoas, sem nunca utilizar dinheiro.
- Mais enriquecedora:
Numa rede local de trocas, as várias
competências não profissionais, que todos nós temos, podem ser
colocadas ao serviço dos outros, valorizando assim capacidades
pessoais que de outra forma nunca seriam exploradas.
Desta forma, também a nossa
criatividade ganha asas, ao pararmos para pensar no que é que
poderíamos oferecer para o benefício de uma comunidade.
Na ordem social existente, para obterem
o que necessitam, os indivíduos têm de se sujeitar as suas
capacidades à ditadura do dinheiro, capacidades estas que foram
adquiridas dentro de um sistema de hierarquias. Assim sendo, aqueles
que se encontram excluídos deste sistema pelo desemprego, vêem-se
postos de parte e mesmo desvalorizados. Dentro da rede de trocas,
eles poderão não apenas encontrar os recursos de que precisam, mas
também encontrar a satisfação de oferecer à troca os seus
conhecimentos ou o seu tempo, também necessários a alguém mais da
rede.
- Mais convivial:
Na sociedade dos nossos dias, muitos
são os que se sentem sozinhos, sem contactos sociais. Dentro de uma
rede de trocas, as trocas, baseadas na confiança e na reciprocidade,
favorizam as ligações entre os aderentes. O convívio instala-se
rapidamente nas actividades organizadas pela associação
organizadora da rede, onde todos os indivíduos têm o mesmo estatuto
e todas as competências são reconhecidas e valorizadas.
- Mais sustentável:
Nesta sociedade de consumo de objectos
descartáveis, fabricados no outro lado do mundo por pessoas
condenadas à exploração laboral, as trocas de uma rede local
permitem praticar um consumo mais local, menos abundante, e o
reaproveitamento de produtos (troca de bens que para uns deixam de
ser úteis, mas que para outros fazem falta).
Pertencer a uma rede local de trocas é
desenvolver colectivamente e solidariamente as capacidades de cada
um. Para além da dimensão pedagógica da tomada de consciência do
valor de um saber ao serviço de todos, as redes locais de trocas são
também uma alternativa real, entre outros, ao sistema económico
dominante.
Um dia é bem provável que haja de tal
forma uma crise financeira que todo o sistema financeiro cairá a
nível mundial. O sistema de trocas locais são uma das respostas a
este tipo de problema; continuem a fazê-lo funcionar e incluam-no na
vossa vida quotidiana.
Se conheces alguma rede de
trocas em Portugal e queres divulgá-la aqui,